23 de dezembro de 2011

Você sabia?

VOCÊ SABIA QUE OS ACONTECIMENTOS QUE DERAM ORIGEM À FESTA DE CHANUCÁ NÃO SE ENCONTRAM NARRADOS NO TANÁCH?

Isso se deve ao fato de as primeiras narrativas sobre a guerra dos Macabeus terem sido escritas em grego, o idioma mais difundido naquele momento histórico, mesmo na Judeia (aliás, Judeia é o nome grego da terra de Judá, e começa a aparecer nesta época). Por este motivo estas narrativas não entraram para o cânon judaico, embora constem da Bíblia católica, cuja canonização incorporou outros textos além dos escritos hebraicos.

Também a forma de comemorar Chanucá sofreu mudanças. Durante a antiguidade, e boa parte da Idade Média, o candelabro de 8 braços e 1 shamash não havia sido incorporado ao ritual de acendimento das luzes de Chanucá.

Até os séculos XIII ou XIV o acendimento era feito através de lâmpadas de óleo individuais, como aquela da história do Aladim. Somente a partir desta época é que surgiram os primeiros candelabros especialmente fabricados para comemorar a Festa das Luzes. Durante esta época, algumas autoridades rabínicas chegaram a proibir o uso da inovação, pois ela ia contra a tradição já estabelecida. Hoje, no entanto, é praticamente impensável comemorarmos chanucá de outra forma. E esse sempre foi o espírito judaico: tradição sim. Renovação sempre.

5 de setembro de 2011

DON'T STOP ME NOW!

Não pude resistir. Sou um apaixonado por esta música, escolhida como homenagem a Freddie Mercury, que faria 65 anos hoje.

O Queen foi uma das melhores expressões artísticas dos anos 70 e, na minha modesta opinião (de inteiramente leigo), uma das maiores bandas de todos os tempos, representando uma verdadeira revolução musical, combinando o clássico e o pop, o rock e a música de câmara.

Freddie Mercury era o gênio por trás disso tudo. Com verdadeiros virtuoses a acompanhá-lo, fundou a banda que - sem sombra de dúvida - é a Rainha de todas as outras.

Clique na figura abaixo e aperte o botão "play". Esta é a homenagem doodle do Google para o dia de hoje.

Have a good time!






4 de setembro de 2011

Um pouco mais sobre ashkenazim e sefaradim


Como sabemos, há muito tempo o judaísmo se encontra dividido basicamente entre dois grupos, baseados numa classificação geográfica: Ashkenazim e Sefaradim.

- Ashkenazim = judeus cujos ancestrais das Idades Média e Moderna eram provenientes da Europa Central (França, Alemanha, Áustria) e da Europa Oriental (Polônia, Romênia, Rússia, Ucrânia, Lituânia);

- Sefaradim = judeus cujos ancestrais das Idades Média e Moderna eram provenientes da Península Ibérica (Espanha e Portugal).

No entanto, existem ainda outros grupos, conforme segue:

- Mizrachím = judeus cujos ancestrais das Idades Média e Moderna eram provenientes dos diversos territórios do Oriente Médio. Judeus do Iraque e do Irã, já se encontravam naquela região desde o período entre o 1º e o 2º templo (há uns 2600 anos!)

- Teimaním = apesar do Iêmen (Teimán, em hebraico) ser um país do Oriente Médio, o judaísmo desenvolvidao por aquela comunidade ganhou características muito específicas, diferenciando-se sobremaneira do judaísmo mizrachí em geral;

- Magrebím = judeus do Norte da África (Mauritânia, Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito) estabelecidos na região desde os tempos da expansão helenista e romana (há uns 2200 anos!). As comunidades mais antigas eram as da Mauritânia, Cirenaica, Cartago e Alexandria.

- Italkím = judeus da península itálica, estabelecidos na região desde a época do Império Romano (aproximadamente 2200 anos atrás).

Então por que costumamos dizer que um judeu marroquino ou egípcio é sefaradi?

UM POUCO DE HISTÓRIA

Como sabemos, a partir da queda do 1º Templo teve início um processo diaspórico judaico, quando os judeus foram exilados na Babilônia (Iraque e Irã atuais).

Mesmo após o retorno à terra de Israel e construção do 2º Templo em Jerusalém, esse processo de espalhamento continuou. Assim se formaram outras comunidades fora da Judeia: Mizrachím, Magrebím e Italkím.

Após a destruição do 2º Templo (70 e.c.) e a 3ª Guerra Judaico-Romana (conhecida como Revolta de Bar Cochbá), iniciou-se a formação das comunidades Sefaradim e Ashkenazim (fruto do espalhamento promovido por Roma). Há quem ateste que já havia alguma comunidade na Península Ibérica antes da queda do Templo.

Muitos séculos se passaram e, em 1492, os judeus são expulsos da Espanha. A grande maioria foge para Portugal. Contudo, em 1496 os judeus são convertidos por decreto e, a partir desta data, “não existem mais judeus em Portugal”. Os outrora judeus passam a ser designados como cristãos-novos.

Pouco tempo mais tarde, em 1536, a Inquisição é instalada em Portugal. Começa, então, um processo de inúmeras vagas imigratórias. Os judeus que tinham oportunidade e condições de fugir de Portugal começaram a fazê-lo.

Estes sefaradím começam a se espalhar pelo Magrebe (norte da África), Itália, Holanda, Colônias da América Portuguesa, Espanhola, Inglesa e/ou Holandesa e Oriente Médio. Alguns têm seu paradeiro traçado até o Leste Europeu (provavelmente em sua rota em direção ao Oriente Médio).

Na maior parte desses lugares, os sefaradím encontram comunidades há muito estabelecidas, nas quais foram recebidos e absorvidos. Religiosamente, porém, foram os sefaradím que acabaram influenciando em grande parte a prática dos judeus já estabelecidos.

Isso explica a tendência natural de chamar os judeus árabes de sefaradím, embora historicamente, antropologicamente, geograficamente e liturgicamente não seja correto. Isso também explica porque os judeus ashkenazim do leste Europeu passam a adotar o nússach (rito litúrgico) Sefarad, diferenciando-se sobremaneira do nússach ashkenazi alemão e austríaco.

Mas o movimento imigratório não atingiu apenas os sefaradím. Também entre os Ashkenazim houve momentos de perseguição durante a Idade Média. A partir do ano 1000, iniciou-se uma série de perseguições na Europa cristã contra os judeus, os quais basicamente foram declarados culpados por Jesus não ter retornado à Terra no Réveillon daquele ano.

Depois desta data, entre os séculos XI e XIV, muitos acontecimentos influenciaram direta e indiretamente as comunidades judaicas europeias. Foi nesta época que ocorreram as as Cruzadas, a Peste Negra, os Libelos de Sangue e outras acusações promovidas ora por clérigos da Igreja, ora por populares. Como resultado, os judeus começaram a imigrar de tempos em tempos entre os vários países do centro e do leste europeu.

É por esse motivo que, já nos séculos XVIII e XIX podemos encontrar tantos sobrenomes tipicamente germânicos entre judeus russos e poloneses, e sobrenomes claramente eslavos entre tantos judeus alemães. Também começam a aparecer sobrenomes germânicos escritos de acordo com a grafia polonesa (como Sztajn e Zylber, por exemplo), ou grafados de acordo com a pronúncia yídishe, na qual o germânico Kaufman vira Coifman.

Neste processo imigratório, alguns judeus da Europa Central também se fixaram na Península Itálica. Por isso há sobrenomes judaico-italianos que são tradução direta de sobrenomes germânicos: Tedesco (Deutsche), Montefiore (Rosenberg), entre outros. Assim, com o tempo, praticamente toda a comunidade judaica mundial estava polarizada entre ashkenazim e sefaradim, os quais, devido a seu histórico imigratório, tornaram-se os dois maiores troncos do judaísmo, e influenciando diretamente a prática judaica.

Shavúa tov!

Moré Theo Hotz

6 de julho de 2011

O ESTUDO, O APRENDIZADO E O ENSINO MAIS UMA VEZ...

Logo que iniciei meus estudos na faculdade de História, descobri também meu amor pelo judaísmo. Foi assim que comecei a estudar hebraico como disciplina optativa.

Como um idioma nunca é apenas um idioma, o estudo do hebraico me fez mergulhar na cultura e história do judaísmo, na tradição e seus símbolos, na literatura e seus significados.

Assim como a criança, ao aprender sua língua-mãe, passa a conhecer, aprofundar-se e dominar o mundo onde vive, o hebraico foi o portal pelo qual passei, (re) descobrindo minha identidade judaica.

A cada aula, não era como se eu estivesse aprendendo coisas novas, mas sim como se eu estivesse relembrando algo há muito escondido na memória.

O judaísmo se tornava mais óbvio, mais claro... Fazia cada vez mais sentido. De uma maneira natural, o estudo se tornou parte do meu dia-a-dia. Inevitavelmente, tornei-me professor de hebraico, história judaica e tradição.

Logo que conheci o rabino Michel Schlesinger, ouvi dele as seguintes palavras: "Se buscarmos estudar algo novo sobre judaísmo a cada dia, mesmo que vivamos 120 anos com muita saúde, não seremos capazes de sermos conhecedores de todos os seus aspectos". Naquele dia decidi que iria estudar, pelo menos, duas coisas novas sobre judaísmo a cada dia.

Gostaria de ter postado cada aprendizado dos últimos anos neste blog, mas não foi possível. Talvez seja a hora do rabino dizer: "se buscarmos blogar cada aprendizado a cada dia..." - afinal, no judaísmo não somente o estudo é uma obrigação, mas também o ensino.

17 de maio de 2011

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COLHEITA, CEIFA... AFINAL, QUAL A DIFERENÇA?

Colheita se refere a frutos, ceifa se refere a trigo, arroz, cevada, centeio e grãos em geral. Por isso mesmo a Torá nos fala de Chag HaKatsír (Festa da Colheita) e Chag HeAssíf (Festa da Ceifa).

Na época do Templo em Jerusalém, os três principais chaguím do ano era chamados de “as Três Festas de Peregrinação”. Isso porque todo ano em Pêssach, Shavuót e Sucót o povo judeu deveria viajar até Jerusalém e fazer certas oferendas especiais no Templo.

E qual o motivo dessas peregrinações?

O ciclo anual judaico era intimamente ligado ao ciclo agrícola da terra de Israel e o mês da primavera marcava o primeiro mês do ano, pois é na primavera que iniciamos o plantio dos grãos e cereais. É nesse mês que comemoramos Pêssach (Chag haAviv, Festa da Primavera). Nesta época pedimos orvalho (umidade, mas não muita, pois os grãos não são bons se ficam encharcados).

Em Shavuót (Chag haKatsír ou Chag haBicurím, Festa da Colheita ou dos Primeiros Frutos) comemoramos a colheita dos primeiros frutos que foram plantados no ano anterior, após Sucót.

Em Sucót (Chag heAssíf, Festa da Ceifa) comemoramos a colheita dos grãos e cereais plantados no início da primavera (Pêssach). Ao fim de Sucót pedimos chuva, pois retomaremos o plantio dos frutos que serão colhidos na época de Shavuót no ano seguinte.

E como agradecimento por tudo o que a terra nos dá, nossos antepassados ofereciam no Templo o que de melhor havia sido colhido.

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Outra curiosidade é que a Torá não atribui apenas motivos agrícolas para os chaguím. A Pêssach e a Sucót também são atribuídas razões históricas: “Guardareis a festa dos ázimos porque foi neste dia que Eu vos tirei da terra do Egito” (Ex 12, 17); “Habitareis em cabanas por sete dias (...) para que saibam as vossas gerações que Eu fiz com que os filhos de Israel habitassem em cabanas quando os tirei da terra do Egito” (Lv 23, 42-43).


Contudo, a Torá não atribui um momento histórico a Shavuót. Porém, nossos sábios chegaram à conclusão que, da mesma forma que Shavuót está entre Pêssach e Sucót, assim também está a entrega da Torá entre a saída do Egito e a peregrinação no Deserto.


O problema estava em conciliar as datas. Por um lado, o texto bíblico afirma que o evento no Sinai ocorreu no terceiro mês da saída do Egito (Ex 19, 1), mas por outro lado ele afirma que Shavuót deve ser comemorado cinquenta dias após o dia seguinte de Pêssach (Lv 23, 15-16).


“Aqui não há contradição”, apontaram nossos sábios. A Torá diz no terceiro mês, não três meses depois. Sendo assim, o primeiro mês é Nissan, o mês de Pêssach; o segundo é Iyar; enquanto Sivan, o mês de Shavuót, é o terceiro.


Assim, e
m 6 de Sivan comemoramos Shavuót. Cinquenta dias após o Pêssach. No terceiro mês da saída do Egito.

18 de março de 2011

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PARASHÁ TSÁV - SHABAT ZACHÓR

O Shabat anterior à Festa de Purim é chamado Shabat Zachór – Shabat “Lembre-se”. Isso porque lemos no maftir
: “lembre-se do que lhe fez Amalec”.

Os amalekitas nos atacaram quando deixávamos o Egito, e assassinaram aqueles de nós que estavam mais fracos, sedentos e cansados daquela jornada. Por esse motivo, a Torá nos ordena a apagarmos a semente e a memória de Amalec.

E esse é o assunto da Haftará, que conta que em uma batalha, o rei Saul poupou Agag (rei dos amalekitas) e preservou os melhores animais do rebanho dos inimigos.

O profeta Shmuel, então, adverte o rei por ter desobedecido a Deus, que havia ordenado a morte de todo o povo amalekita e de seu rebanho.

Saul argumenta dizendo que os animais seriam utilizados em sacrifícios para Deus, mas Shmuel diz que a obediência ao Eterno é mais importante que os sacrifícios. Mais tarde, o próprio profeta se encarrega de matar o rei Agag.

E qual a ligação entre esse tal Shabat Zachór e a Festa de Purim? Por que o shabat anterior a essa festa tem de ser, obrigatoriamente, Shabat Zachór?

Acontece que, segundo o Midrash Esther Rabá, Hamán era descendente de Amalec. Mas de onde o midrash tira esta informação?

Simples. Na Meguilat Esther, Hamán é chamado de “HaAgaguí”, ou de “filho de Hamdata HaAgaguí”. Agaguí” significa relativo a Agag, ou descente de Agag.

Logo, se Agag era o rei dos Amalekitas na haftará, e se Hamán era descendente de Agag, então, Hamán é amalekita. Na literatura rabínica “Agaguí” e “Amalekita” são sinônimos.

“Zachor velo tishcach”! – Lembra-te e não te esqueças do que fez Amalec! O plano de Hamán para exterminar os judeus é o plano de Amalec através dos tempos.

No entanto, Amalec não se refere a alguém específico, ou a um povo em especial. Embora haja, mesmo entre nós, quem pense assim, Amalec não é necessariamente um outro povo que seja inimigo do povo judeu.

Em minha opinião, Amalec é um conceito: O Midrash Tanchuma explica a natureza do conceito de Amalec, através do próprio passuk, “Recorda-te do que te fez Amalec (...) que te encontrou (asher karchá) pelo caminho e feriu todos os enfraquecidos”.

Segundo este midrash, asher karchá” (“que te encontrou”) pode também significar “que te esfriou”. Amalec representa tudo aquilo que pod nos “esfriar” e esfriar nosso judaísmo.

Sendo assim, como conceito, Amalec também pode estar entre nós.

A racionalidade fria e sem vida que nos congela e nos afasta da nossa experiência judaica pode ser Amalec. Também o fanatismo intolerante dos nossos extremistas religiosos pode ser Amalec. Afinal de contas, os nossos extremistas NÃO SÃO melhores que os extremistas dos outros.

Quase no final da Meguilá lemos e aprendemos que os acontecimentos de Purim foram “Luz e Alegria para os judeus, regozijo e honra”.

Se apagarmos Amalec de nossas vidas não mais esfriaremos aqueles que encontramos pelos nossos caminhos e não mais nos esfriaremos. E assim, com luz e alegria, seremos luz entre as nações, trazendo regozijo e honra para aqueles que nos cercam.

Shabat Shalom!

13 de março de 2011

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SHIUR 001 - INTRODUÇÃO À MASSÉCHET MENACHÓT

Abaixo, o mais recente shiúr do Fórum Beit Midrash Virtual: Introdução à Masséchet Menachót, Sêder Kodashim.






Bons estudos e até a próxima!